quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Poema delicado

Um poema rapidinho

queijadinho e
açúcar café

poeminha
feito com pressinha
e voando as palavras
com assinhas
                 
                      de explosões


cafeína
dura e forte
nicotina
que me queima
toda a palavra
amiúde e pequena
mata


mesmo um poeminha
simples delicado
inocente e – aparentemente – sem pecado
assassina
todas minhas
conformidades
                
                              de emoções


mesmo um poeminha
todo jovem e inteirinho
estraga

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Já Caiu, Já Caiu! O Decreto Já Caiu!

Não sou atriz, mas para mim e todos que se interessarem um pouquinho sequer sobre Arte, deveriam conhecer o que significa a lei de fomento para artistas  "não midiatizados" e trabalhadores (nada contra os atores novelísticos  globais, record e band. Já tive muita coisa contra, mas sei que também é um ótimo ganha pão para quem consegue ter o padrão da mídia ou ser filho de um ator lá dentro) . Lei esta que tem sido descaradamente descumbrida pelo secretário da cultura Augusto Calil.

Leem isto (foi melhor reportagem que eu encontrei apesar do tom agressivo) : http://www.pstu.org.br/editorias_materia.asp?id=3314&ida=4


Houve no dia 4 de novembro às 13h30min uma convocação urgente para assembleia geral na Câmara Municipal de São Paulo, vai haver uma outra dia 11 e se eu não me engano no mesmo horário e local.Nessa última assemebleia, eu estive lá - e já consciente das dificuldades que um artista cênico sofre nesse país , - fiquei ainda mais abismada por saber dessa atitude arbitrária de suprimir essa lei que ofecere oportunidades para artistas pagarem as contas dignamente com arte e trabalho. Esses artistas não estão fazendo baderna, são trabalhadores exigindo que os seus direitos sejam cumpridos como previsto em lei.


- A plenária decidiu oficialmente o Manifesto que será publicado semana que vem (ainda não sei onde,  depois coloco mais informações ) . E também foi decidido uma passeata que vai começar na secretaria da cultura e terminar na Câmara Municipal.

Escrevi esse aviso rapidamente, mas prometo checar melhor as informações e dizê-las com mais segurança. Só queria enfatizar o meu apoio a essa mobilização e que se por acaso ouvirem comentários maldosos desse grupo de pessoas que lutam pelos seus direitores de trabalhadores. Fique registrado que é mentira! Essa lei tinha que ser ampliada e melhorada; depois de quase oito anos na coloboração de permanência dos grupos que trabalham com teatro de pesquisa; na possibilidade de comunidades que até então nunca teriam perspectivas de assistir a espetáculos de dança e teatro; atualmente elas conseguirem entrar em contato com esse universo estimulando a imaginação, a crítica e a interação social. Esse decreto feito por Kaassab e a sua turminha descaraterizou a lei, prejudicando fazedores da arte.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dzi Croquettes

 
 
Grupo Antropofágico de teatro muito irreverente e lúdico no ano de 1970. Um documentário com fronteiras que beira a forma ficcionalizada do cinema. Assistem!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Acho que aprendi com Picasso a beleza do ódio
Acho que aprendi com Matisse o horror do belo

domingo, 17 de outubro de 2010

O Problema do Eu-Lírico e a Moda

Duas perguntas em relação a Moda:


a) O que seria de uma sociedade sem roupas?

b) A Moda, que é tão cotidiana, não pode ser uma arte que também nos expressa como seres humanos? E por que não?


Duas premissas sobre a Moda:

a) Se você tem algum problema com a Moda, ande sem roupas.

b) O vestuário cria imagens-ideológicas e jogos dominantes de poder. Na Moda, a desigualdade social é estabelecida materialmente.


Apêndice:


* Pena que na Filosofia, Ciências Sociais e na Literatura, essa desigualdade social está no mundo imaterial. Ilude-se, quem pensa que essa diferença social humaniza-se mais nessas áreas. Não. A desigualdade social só não fica escancarada, a vaidade é uma vaidade abstrata.

O Problema do Eu-Lírico e a Ideologia

Eu tenho ideologia, acredito nela, a minha vida é toda ela
Mas e você qual é a sua ideologia? Você sabe dela? 
*
Você realmente escuta os outros? Ou você ouve os outros?
Quantas posições ideológicas alheias você reconhece por dia?

*
Você sabe hoje qual é a ideologia que se afogou até a cabeça?

*
A ideologia é uma larva que impregna a pele
é a cinza que fica no cigarro
 que beira a esquina a alegria
e tromba com a coragem e a euforia
é uma melancolia
uma porcaria
                                       toda ideologia

*

A ideologia é uma merda que todo mundo caga 

O Problema do Eu-Lírico e a Política

Tenho até medo de começar esse assunto. Tem gente que fica muito irritada. Não compreende por ignorância mesmo, não aceita, ou, por estar tão imerso nessa prática racional (a Política), não consegue abrir os olhos para outras espécies de práticas ideológicas que visam a sensibilidade; mas que não são necessariamente panfletárias ou partidárias, porque vão um pouco além do mundo racional, cronológico e empírico. (Não faço parte da noção: a arte pela arte, mas também não gosto da auto-valorização que fizeram com a noção oposta: a política pela arte. A arte é da humanidade. E só).

Não quero escrever uma literatura partidária. Não escrevo pra políticos somente; escrevo pra homens pobres, homens ricos, bichos, anjos, espíritos, deuses, tiranos, perversos, neuróticos e solitários. Escrevo por necessidade individualista que é desabrochar para o mundo e tornar-me lírio flutuante, não para denunciar e nem para horrorizar. Afinal, até aqueles que se horrorizam com literatura, sentem prazer de reconhecer o motivo desse horror literário, - por que existem existencialistas, nietzscheanos e marxistas?Por que gostam de Sartre ou de Marx? (A gente só gosta de algo que nos dá prazer e nos traduza como somos). Esse povo existe por causa do conhecimento esparso na humanidade; existem porque o conhecimento é soberbo; existem porque outros acreditam neles. É gostoso entender o horror estético, não é ruim ser soberbo, é bom e pronto.

Não escrevo literatura panfletária. A minha lente, que é um socialismo-utópico, está expressa no ritmo das palavras, nos pontos de vistas das personagens e no estado de raiva, de pena, de anseio, talvez de angústia que o eu-lírico sente em relação ao mundo. Não escrevo para converter ninguém a uma ideologia política, não quero militar com literatura; diria Cortázar: “que existem literaturas revolucionárias que não tinham nada de revolucionário como literatura”. Esses fragmentos escritos por mim não têm intenção de revolucionar o mundo e pregar o socialismo, ou partidarismo. A consciência política existe em outras maneiras de representações que não são somente essas duas relatadas acima; a partir do momento que homens começam a viver coletivamente com leis,  ações políticas começaram a ser praticadas implicitamente ou explicitamente.

Contradição é dizer: Tudo é política e, depois, falar que existem ações mais políticas que as outras.