terça-feira, 8 de novembro de 2011

Promessas para o ano que nunca venho

Eu sempre fiz promessas que nunca cumpri, jurava que não ia me apaixonar no próximo ano e que iria organizar as minhas gavetas toda semana, mas fazia isso uma semana no novo ano e deixava as outras semanas dos 365 dias sem organizar outras coisas da minha vida. Não ia me importar mais com a opinião alheia, ia estudar mais e cuidar mais para não comer muitos doces (não faço mais promessas para largar o cigarro, não consigo mesmo!). Uma coisa eu tenho certeza no próximo ano não serei mais a mesma, a gente muda mesmo não querendo, provavelmente eu sentirei mais medo e vou passar outro ano novo sozinha e sóbria demais. Eu podia fazer algo mítico, tipo, caminhar na cidade de São Paulo e olhar a lua iluminar partes da cidade sombria. Sei lá....Pode também ser muito cedo para pensar em um ano novo, mas também não achei outro tema interessante para escrever e precisava colocar as coisas para fora. Eu tenho que terminar o meu romance, entretanto, a vida é cheia de todavias, todos os anos são assim e isso é bom.

sábado, 5 de novembro de 2011

sem grandes frases de efeito quando perdemos o ar
engole-se a saliva
e o bom senso
desaparece

Não há argumentos
para contra-atacar
o momento
adormece
nem sempre volta
(quase nunca)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

nenhum para para de fato o mundo caminhando ao céu torto
o pelo pela e pelos seios nossas mãos
reinam

nenhuma criança rosna
meus cantos
a nuca
os curtos espaços
do meu sexo

o meu amor
é pura selvageria
de loucos putos

espertos
expertos desejos
ardosos profundos
lânguidos
manchas da manhã de segunda
que nem vontade temos de acordar
levantar

o raiar é o fechar os olhos
amantes nem se olham (se enxergam)
escutam e deixam
repousam

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um bar, dois olhos e a sensação

- você é tão bonita! – ele diz

Sensação dela

Eu, tão insegura,  fiquei artificiosa e enganei-o com um belo sorriso. Ele é tão lindo, tão bacana e tão expressante que não ligaria se fosse uma noite, não me importaria de pedir milhares de saideras só pra ter que inventar papos e papos e ter um motivo qualquer para ficar perto dele.

Sensação dele

Ela é tão intimidadora que mesmo quando eu a beijasse, ficaria com medo da opinião daquela boca sobre a minha língua, mas não me importo de comprá-la e domá-la só com os meus olhos, uma hora estaremos embriagados e os cinco sentidos do corpo serão apenas uma piada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ventre

A menstruação pode ou não estar ocorrendo em meu corpo, minha barriga clama e os ovários são o meu maior mistério. Será um filho ou um aborto? Estou prestes a me parir de novo ou vou parir outra vida iminente? As palavras fogem-me, - e ainda tenho alguns defeitos, - escrevo querendo agradar. (Não deveria, sei que não deveria).
Quero viver sem ter que pedir autorização dos meus pais, mas tenho um medo que a minha vida inteira seja uma ficção, um enorme fracasso! Meus pais possuem um controle vital em minhas ações a ponto de toda a identidade, até então construída por mim, não consiga separar-se totalmente da vida deles. Eu os culpo, mas deveria culpar a mim que tenho medo de impor os meus valores e assumir as consequências desses atos. O meu ventre pode gerar um futuro que poderá me destruir ou poderá criar novos valores.
Tenho medo de morrer sozinha. Não falo de amor, quer dizer, de um homem ao meu lado, falo de pessoas que gostam de estar comigo. Talvez eu devesse abandonar completamente a ideia de ser artista que suscita a perda total, inclusive de todo ou qualquer resquício de moralidade cristã e de tudo que relembre o patriacalismo. A liberdade e a solidão são necessárias para criação, no entanto, mesmo sabendo da minha possibilidade de fracasso total, eu quero criar, qualquer coisa, qualquer merdinha ou patifaria furada. As palavras – fonte de insufocável  solidão – são preciosas, porque alimentam a minha individualidade medíocre que me comporto. Assumo que o meu fracasso é inevitável, mas também assumo que me é indispensável continuar criando.
Talvez eu consiga me parir ainda esse mês, mas é sempre o mistério toda a irregularidade das minhas regras. É sempre perigoso o risco que eu tenho de ter problemas, viver na dúvida, viver nessa inteira confusão e nesse desespero, poderia incitar o brotamento de palavras desconhecidas ao meu ser, por exemplo, gravidez, filho ou a possibilidade imediata de aborto. Meu sangue que tanto escorre costuma sujar demais os meus pensamentos, costuma me fazer chorar palavras que pouco importam aos machos, palavras tão mulherzinhas que, mal ou bem, requer sensibilidades além do feminino.
Infelizmente, tenho a ousadia de ser eu mesmo, o problema é que a sociedade rege tantos papéis sociais sobre o feminino e o masculino que uma pessoa assumindo a sua identidade para o mundo é motivo de loucura. Vou desagradar, tenho tanto medo, vou atrair inimigos e os nossos amigos normalmente não costumam acompanhar as questões reais do cotidiano. Eu sou carente, detesto fazer coisas que eu sei que as pessoas não gostam, mas também não posso fazer coisas que eu não gosto. Não posso me trair.

sábado, 15 de outubro de 2011

Coisas de amor (?): Eles e Elas

I

Ela distraidamente organiza o seu boneco, ele sentado observa-a como quem não apercebe os seus próprios olhos fixos a uma coisa:
- você me acha então pegável?
Ela solta um risinho e responde:
- é tão pegável que já peguei, né! – ambos riem.
- você é linda!
O sorriso da menina alumina e deforma todo o espaço, ele se desarma e fica sem jeito com o rosto brilhante e estranho da coisa que a olha também.
- eu devia escrever um poema pra você
- mas eu não mereço um poema inteiro – ele responde - , isso é muito pretensioso, talvez um haikai... não mereço tanto
- já que não merece vou te dar uma palavra. O problema é que eu não sei qual palavra eu poderia definir você, a não ser uma que não tenho coragem de usar a que não conheço o nome.
Ele ri meio encabulado e, um tanto sem jeito com as palavras, diz:
- você é encantadora!
Ela fica desarmada, encabulada, com vontade de sair correndo de lá, embora fica imediatamente com repudio dessa ideia, a fuga implicaria em abandoná-lo e sentiria saudades além dos seus beijos, mas de todo o ele. Pensar em fugir, suscitaria em um sentimento inexplicável, pois sentiria saudades da voz e da boca. Mas, a inibição arrebata-a a possibilidade desse sentimento invadir todo o seu estado natural, será que era só saudades? Será que ela estava se perdendo em toda aquela ilusão de amizade? Ela queria tanto, mas tinha tanto medo. Não era amor? Se fosse amor não poderia ser tão assustador. Alguém que roubava um pouco das suas salivas e a cobria de olhares distraídos e invadisse tanto o seu conforto individual. Batia tantas saudades... Saudades que sentia dele antes mesmo de terminar o próximo beijo, antes mesmo de ele abraçar o seu corpo, antes mesmo de reencontrar seus olhos distraídos e sonolentos, enxergando-a inteira, tanto despudor, quanta ousadia! Como ela o queria tanto, morreria de tanto susto e desejo?

II
  
Quando eu estou com você fico com tanto medo – ele diz próximo dos seus ouvidos – que sei lá...
- mas fica sem jeito por quê?
- você parece sempre ter as palavras na ponta da língua.
Ela abre um largo sorriso e não diz nada, beija-o docemente e sente os lábios dele ardentes.
- namora comigo? – ele pergunta.
- namorar? – ela fica encabulada, nunca ouviu tal pergunta solta tão espontaneamente – mas já não estamos fazendo isso – ela ri.
- não, não. Você é tão bonita! Fica comigo, minha vida, fica comigo pra sempre – as palavras sufocam-se nas respirações sôfregas.
Ela olha assustada essa proposta. Para sempre é muito tempo, será que a efemeridade da vida propiciaria esse desejo infinito? O silêncio dele responde com seus olhos e ela, meio sem jeito com o próprio silêncio, toca-lhe o peito do homem e seus dedos brincam com os pêlos dele e finamente diz:
- quero você aqui e pra sempre será feito agora – uma voz humilde sincera sai espontaneamente.
Ambos se entregam ao amor com medo da vida atirar a sua bala e terminar em morte o mundo dos amantes efêmeros.

III

Elas encontram o Uruguaiano, apelido de um velho amigo palhaço que não conversam faz quase dois anos, e se convidam para tomar cerveja. O palhaço paquera a menina ao lado que possui um cabelo negro.
Ela e Ela sorriem tão distraidamente, esquecendo que existem outros ao redor, brincam com o celular da outra e fingem ciúmes da menina bonita de cabelos negros. O uruguaiano pergunta:
- e aí vão casar ou não?
Elas sorriem com tanta felicidade de amor e respondem praticamente juntas:
- nem a gente sabe – e beijam-se na boca com a harmonia dos apaixonados que fazem questão de amar aos ventos e aos céus.
A menina de cabelos negros diz:
- Vocês estão tão lindas! – Elas sorriem com um brilho atraente, esquecendo-se da própria beleza nem agradecem a menina. Só iluminam!