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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

À procura de amigos

Procura-se alguém pra conversar, normalmente eu converso com a parede do meu apartamento, mas ela não é muito conversadeira. A conversa vira um imenso monólogo, não avança e nem regride. Por isso, pode ser até uma alma ruim, mas alguém que possa me propiciar um diálogo.

domingo, 16 de setembro de 2012

Do conceito Deus e Política


Der note thu sei di pummm
Bikausi der uordi is beautiful
Der boquis on der taiblou is
Very very nice
Ai nouw que os God is very lindiu
Bute, note mistaque os God cristão uiti
As politiquices
Becausi, hipocrisei is very badi
No faça this
Mano, o teu the God is invisible,
Note precisa control uiti mãos very poderosas
Os godes dos mercados
your cocô is note many fedido que 
tua hipocrisia política 
e your blazé of Brazil 


Certo mano! – tenho dito, referências bibliográficas:
Hegel
Grande Otelo
Kant
Alexandre Pires
Menudos
Machado de Assis
Santo Agostinho 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Divagando com óculos escuros muito estiloso na volta pra casa


A
Então... Pausei de novo. Larguei as minhas responsabilidades para atravessar São Paulo por causa de outro estranho que conheci à toa. Ar seco. Muito quente. Podia chuver, né?
- oi, cê podia me dá algo pra mim comer? Qualquer coisa serve?
-num tenho não, só tenho aqui dinheiro pra passagem
Pra variar, a multidão de homens e mulheres bem vestidos caminhando por aqui, trombando-se com outros, também estressados. Tem coisa que nunca muda, por exemplo, essa Avenida. Continua a mesma, porém, silenciosamente, degradada.

B
Mas, eu? Eu? Claro, eu sou paulistana patriótica. Sou tão paulistana quanto o esgoto do Tietê, porque essa cidade é feito por homens inocentes e limpos, tão cheirosinhos, que se esquecem de limpar a bunda quando saem de casa. Abandonam-se ao odor de bosta, pois acostumaram-se a sujeira patriótica.  A ordem é essa: amai-vos e fedei-vos, juntos irmãos! O progresso é uma coisa emocionante (quase apoteótica!): câmaras invisíveis da última geração espalhadas pela cidade com uma sensação de insegurança rodando o ar (Ou será que é o cheiro do rio Tietê?).

C
Eu prefiro dormir, mas eu acordo. Abro os dois olhos e insisto em ficar sã.
- oi
- sim
- você tem dois minutos pra salvar o mundo? – diz o ativista do Greenpeace
- não tenho não
Engulo a saliva. O sol penetra meus olhos. Ando. Eu vou comer um miojo que não vai matar a minha fome hoje à tarde. Será que eu pego esse ônibus ou outro?

D
Do nada, esperando o tempo ficar meu amigo e chegar logo em casa. Pensei algo insignificante: puta, faz 220 anos que aconteceu a Revolução Francesa! Quantas vezes o capitalismo revolucionou de lá pra cá? Eu sou fruto de tantas memórias de porcarias e violência. Mesmo não sendo francesa. Também nem precisa, meu Brasil do doril e anil, tem nome de remédio e não tem a cura do câncer nem da AIDS. Brasil, meu Brasil, por que você ainda gosta de fazer crianças se faz tempo que a miséria toma no seu rabo e diz que aqui não tem mais espaço pra mais homens doentes?
Meu Brasil! – o seu lema é: “ A Merda e Os Fudidos”. 

E
Mas o Brasil é o país do futuro. O Itaquerão é o centro do universo em 2014. Esse país ainda vai pagar a conta da crise econômica mundial. Sim! Os fudidos vão doar o sangue, os fudidinhos e o coração para alimentar a economia internacional, a merda vai adubar o projeto capitalista.  O Brasil é o super-homem!

F
Quem diria? Eu, em plena juventude, assistiria de perto uma mudança da nova ordem mundial. O gigante vai morrer. Está morrendo.

G
Cheguei. O tempo passado é um agora cheio de séculos. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

vinte acontecimentos de 2011

1-) Nem sempre fazemos bons versos;
2-) e nem, por isso, nós temos que parar de versejar;
3-) o começo é só um pequeno fim de uma outra história;
4-) não pare de ler;
5-) ouvir música é a melhor coisa do mundo;
6-) tudo cansa;
7-) ainda bem que nenhum amor é pra sempre;
8-) perdi alguns kilos, ganhei outros;
9-) esqueci alguns rostos;
10-) falei demais, falei de menos;
11-) escrevi uma carta não mandada;
12-) não liguei de volta;
13-) o mundo não acabou;
14-) tomei banho;
15- ) fiquei descontrolada;
16-) sonhos fugiram;
17-) perdi dois cds;
18-)  esqueci nomes de pessoas;
19-) comemorei outro aniversário;
20-) dormi muitas horas;

sábado, 12 de novembro de 2011

Desaparecimento

vontade de sumir e esquecer por alguns dias os meus defeitos, minhas próprias qualidades e, apelando para o desprendimento total, não querer nem estar próximo de pessoas amadas ou odiadas. Por um minuto,  eu queria ser impessoal e inexistente. Será que fugiria dos problemas? É bem provável que eles não se resolvam sozinhos, eles esperam por mim, anseiam por algum ser real e concreto. Pena! A minha realidade é tão fantasiosa quanto o meu ser inexistente e não dá para trocar mentira por mentira.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Promessas para o ano que nunca venho

Eu sempre fiz promessas que nunca cumpri, jurava que não ia me apaixonar no próximo ano e que iria organizar as minhas gavetas toda semana, mas fazia isso uma semana no novo ano e deixava as outras semanas dos 365 dias sem organizar outras coisas da minha vida. Não ia me importar mais com a opinião alheia, ia estudar mais e cuidar mais para não comer muitos doces (não faço mais promessas para largar o cigarro, não consigo mesmo!). Uma coisa eu tenho certeza no próximo ano não serei mais a mesma, a gente muda mesmo não querendo, provavelmente eu sentirei mais medo e vou passar outro ano novo sozinha e sóbria demais. Eu podia fazer algo mítico, tipo, caminhar na cidade de São Paulo e olhar a lua iluminar partes da cidade sombria. Sei lá....Pode também ser muito cedo para pensar em um ano novo, mas também não achei outro tema interessante para escrever e precisava colocar as coisas para fora. Eu tenho que terminar o meu romance, entretanto, a vida é cheia de todavias, todos os anos são assim e isso é bom.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ventre

A menstruação pode ou não estar ocorrendo em meu corpo, minha barriga clama e os ovários são o meu maior mistério. Será um filho ou um aborto? Estou prestes a me parir de novo ou vou parir outra vida iminente? As palavras fogem-me, - e ainda tenho alguns defeitos, - escrevo querendo agradar. (Não deveria, sei que não deveria).
Quero viver sem ter que pedir autorização dos meus pais, mas tenho um medo que a minha vida inteira seja uma ficção, um enorme fracasso! Meus pais possuem um controle vital em minhas ações a ponto de toda a identidade, até então construída por mim, não consiga separar-se totalmente da vida deles. Eu os culpo, mas deveria culpar a mim que tenho medo de impor os meus valores e assumir as consequências desses atos. O meu ventre pode gerar um futuro que poderá me destruir ou poderá criar novos valores.
Tenho medo de morrer sozinha. Não falo de amor, quer dizer, de um homem ao meu lado, falo de pessoas que gostam de estar comigo. Talvez eu devesse abandonar completamente a ideia de ser artista que suscita a perda total, inclusive de todo ou qualquer resquício de moralidade cristã e de tudo que relembre o patriacalismo. A liberdade e a solidão são necessárias para criação, no entanto, mesmo sabendo da minha possibilidade de fracasso total, eu quero criar, qualquer coisa, qualquer merdinha ou patifaria furada. As palavras – fonte de insufocável  solidão – são preciosas, porque alimentam a minha individualidade medíocre que me comporto. Assumo que o meu fracasso é inevitável, mas também assumo que me é indispensável continuar criando.
Talvez eu consiga me parir ainda esse mês, mas é sempre o mistério toda a irregularidade das minhas regras. É sempre perigoso o risco que eu tenho de ter problemas, viver na dúvida, viver nessa inteira confusão e nesse desespero, poderia incitar o brotamento de palavras desconhecidas ao meu ser, por exemplo, gravidez, filho ou a possibilidade imediata de aborto. Meu sangue que tanto escorre costuma sujar demais os meus pensamentos, costuma me fazer chorar palavras que pouco importam aos machos, palavras tão mulherzinhas que, mal ou bem, requer sensibilidades além do feminino.
Infelizmente, tenho a ousadia de ser eu mesmo, o problema é que a sociedade rege tantos papéis sociais sobre o feminino e o masculino que uma pessoa assumindo a sua identidade para o mundo é motivo de loucura. Vou desagradar, tenho tanto medo, vou atrair inimigos e os nossos amigos normalmente não costumam acompanhar as questões reais do cotidiano. Eu sou carente, detesto fazer coisas que eu sei que as pessoas não gostam, mas também não posso fazer coisas que eu não gosto. Não posso me trair.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Deus e o otimismo

- um terremoto! Fica tranquilo, é Deus manifestando o seu poder.

Enquanto isso morria seu filho, seu comércio e ele perdia seus dois braços e um pouco da sua identidade por causa da fé que lhe escorria no seu rosto. Ele morreu nesse terremoto e perguntou a Deus:

- poxa Deus! Eu tava lá defendendo você, por que você tirou tudo isso de mim?

Deus, que era um menino pentelho, respondeu enquanto chupava um pirulito roubado de Jesus, o crucificado:

- pô moço! você é um careta, muito chato e quadradão, precisava dá uma sacudida também com esse terremoto!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carta ao amigo (2)

Querido amigo,

ontem eu fiz vinte anos, você já envelheceu, provavelmente conhece mais da vida do que eu. Sinto muitas saudades e muita vontade de conhecer coisas novas, eu estou com um delicioso medo e uma profunda vontade de continuar errando. Viver é um perigo, todo dia é dia de morrer um pouquinho.

Você que me viu aprender a andar, acha que vou mudar? Vou virar mulher? Vou virar humana? O que eu faço pra continuar assim no caminho certo? Às vezes, me pego pensando que o melhor caminho são os desvios de muitas estradas e que a vida não chega a destinos intactos e perfeitos como os livros. Não tenho mais o mesmo pique que antes para os estudos, estou um tanto sei lá, meio emburrada e quão encabulada de tantas teorias inúteis. A vida é cheia de inutilidade, né...

Eu arranjei namorados, deixei namorados, transei com alguns caras e conheci alguns arrependimentos, mas não acho que fiquei mais adulta por causa disso. Olho-me no espelho e sinto ainda uma tal menina increscente. Vou morrer jovem inevitavelmente e meiga e bela. Você que é jovem a mais de vinte anos como é a vida depois? A gente sempe acaba com essa pergunta, tanto pras coisas banais, quanto pras coisas profundas. E depois?

E o amor? E o ódio? E os homens? Meu amigo, eu acho que eu nunca vou entender nada mesmo. Sou uma idiota por causa disso, né... Uma tonta que perde o tempo com desesperos improdutivos. Não sei se o mundo vai mudar (talvez sim, hoje as mulheres falam coisas que não falavam antes). Eu vou assistir o mundo amadurecendo? Será que você, meu amigo, vai ainda ser padrinho dos meus filhos? Será que eu terei filhos? Aí... Que assustador! Ainda desejo viver tantas bobagens desconhecidas, será que você conhece metade do que eu conheci até agora? Se você me contasse pelo menos metade da sua vida talvez me responderia as minhas perguntas e as coisas ficariam mais simples do que estão parecendo. Eu me sinto tão criança, acho que sou menina com seios e sangue todo mês (provavelmente é isso que eu sou).

Meu amigo, eu vou ficar bêbada, vou tomar bebidas que nem conheço o nome e fumar alguns maços de malboro pra ver se assim as coisas resolvem-se por si mesmas. Se tivesse aqui você falaria pra mim que a vida não se resolve com desesperos e embriagando-se, mas provavelmente não me impediria de errar. Você não me entendia, eu também não te conhecia, éramos jovens demais, não conhecíamos os segredos das nossas personalidades e pra onde elas poderiam descaminhar. Mas ainda vai chegar um dia - assim eu espero - que vamos rir desses desesperos e contar pros nossos outros amigos jovens sobre as vicissitudes descomplexas e esquisitas que a vida nos coloca. Vamos levando!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Do verbo ser irregular

(...) O que me expressa além da boca e dos olhos é toda minha irregularidade do verbo ser.



Conversa entre duas moças





- olhe pra mim, o que você vê além de peitos, boca e olhos?
- eu vejo uma menina que está tentando se descobrir, você vai achar o seu caminho. Acalma a sua inquietude!
- se eu acalmar ela é provável que eu deixa de me expressar poeticamente? Amiga, eu quero trepar com alguém que me olha nos olhos, eu quero sorrir com alguém que chora quando perceber pequenas demonstrações de carinho e alegria, eu quero alguém que me liga em pleno domingo de manhã não pra ver se a minha casa está livre pra namoricar, mas pra falar besteira, escutar sobre música ou coisas idiotas masculinas. Meninos não gostam das mulheres inquietas ou será que o mundo ficou tão de cabeça pra baixo que as pessoas deixaram de gostar dos papos onde as palavras são mais do que expressões verbais do nada?
- menina, você tá tentando...                                                                     
- eu sou jovem hoje, bonita, com seios firmes, boca límpida e rosto inocente. Amanhã serei uma velha, estou tentando o quê?  Você sabe o que você tenta?
- não sei
- eu  também não... Acho que viver é um absurdo!  Será que um dia um homem ao invés de me mostrar como gozar com minha xotinha vai me dá orgasmos na alma? Será que não nasci andrógina, nasci apenas mulher? Nasci pra ficar sozinha com minha encantadora subjetividade e um olhar tão penetrante que atravessa qualquer libido dos carentes e canalhas – alguns minutos de silêncio, ela bebe outro copo e responde para ela mesma – nasci com a maldição dos escritores malditos, a solidão dos instáveis e a alma dos inquietos! Nenhum homem será capaz de me aguentar, sou por demais uma chata! Me resta os poemas e livros e música e teatro, me resta apenas o que consola até Deus, a própria criação. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

carta ao amigo

Meu amigo,

ajude-me a curar de minhas angústias. Sou uma pessimista com grandes notas de rodapé que sinalizam pequenas melhoras do país cujo é minha pátria materna. Estou cansada, um tanto à flor da pele, estou com saudades das nossas besteiras de manhã e ficar cantando sertanejos para descansar a mente dos intelectualismos de segunda mão.

dê-me respostas objetivas sobre o futuro, sobre a morte e o amor. Conte-me se eu estou no caminho certo, uma pequena indicação de que o caminho meu é meio certo ou meio errado. Estou cansada de tantas dicotomias, um pouco saturada de lutas que se conseguem minúsculas conquistas, corre-se cem quilômetros para conseguir efetivamente um centímetro de realização material.

Meu amigo, você ainda escuta blues, ainda ama o seu homem, ainda gosta de poesias marginais? Eu não sei mais quem eu sou, não sei mais quais serão as minhas vontades daqui dois minutos. Não leio mais, não como mais (não porque eu me apaixonei; mas porque é demais meu amigo! É demais!), estou muito magra, não consigo dormir. As minhas vadiagens consomem demais os meus dias e as mãos masculinas encostam-me com carinhos não apaixonados, é só sacangem, é só putaria.

Essa angústia é incurável? Se eu trabalhar melhora? Se eu ganhar dinheiro acalma? Se eu tiver filhos diminui? Se eu casar não vou me sentir mais sozinha? Tantas perguntas, meu amigo, por que você não me responde somente uma? A vida é estranha, não tem professores que indicam notas altas ou baixas para saber se está indo bem ou mal. Meu amigo, como eu estou com saudades de você! Vamos sair um dia desses para reclamar da vida, para cantar aquela música e relembrar quem nós éramos um pouquinho, vamos falar de amores consumidos, tomar um guaraná, uma vodca ou coca-cola, vamos falar de rock n' roll ou de bossa nova, vamos papear em pleno domingo e esquecer que somos civilizados. Meu amigo, que saudade! Que saudade que tenho de você... 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Espírito Roubado

não leva embora todo meu espírito
carrega minhas carnes por kilo
meu coração funciona no grito
grito de prisioneiro:
"Salve teu peito!"

salva a alma que lhe resta
mata tua bontade
destila todo teu ácido
nesses porcos de espíritos disfarçados
de velhas frágeis nos cultos espíritas


amargando o café,
mais amargo é o meu dia
engulo facas filosóficas
tomo enlatados econômicos


ainda morrerei de aglomerados
humanísticos
sugam os sucos dos meus fulcros
mastigam as células místicas
eu como capim teológicos
de falsas ideias paradísiacas


vou embora pro Caribe
Ou, talvez, pra Suíça
procurar os meus lucros
talvez eu realizo
sonhos bruscos
compro
um barco
um amor
masturbo
o meu suor
alivio
meu jack estripador
dosmesticado civilizado
ou então.... eu morro

sábado, 10 de setembro de 2011

sobre ideias

Esses dias eu tive uma ideia enquanto estava no ônibus azul, lutando contra a morte e contra o tempo, aproveitando os meus minutos de juventude fortalecida, esperando mais outra profecia irrealizada do fim do mundo, revendo outra frustação de perceber a história passar por nossos olhos, tomando coragem pras dramas inevitáveis, sonhando sonhos que não são meus, vadiando sem dinheiro e emprego, tive a ideia. Mas ela desapareceu como os meninos.

A juventude falida

Numa certa tarde eu desapareci
me desprendi
de tudo que era eu
roubando seus
Virgílios e existências
pra me auto-afirmar
como artista

não devolvi A Divina Comédia
em pleno dia de sol
meu ponto de vista
era uma chama morta de ideologia

Amigas,
já não somos a geração coca-cola
fugimos da escola com a lembrança de jornais
e cotidianos banais
nesse secúlo vinte e um
sou mais uma que espera
junto com a minha geração falida
o mundo acabar

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bobagens

Quais são as coisas bonitas da vida? Aquela música que é interpretada pela Marisa Monte (não me recordo o título) que enumera uma série de doces: chocolate, brigadeiro e etc, tudo que há de proibido e gostoso no mundo. Eu vou lá.

A vontade que eu tenho de abraçar o mundo com duas mãos. A fome criativa.
O medo o empecilho
o jogo


PERIGO! Errou, perdi, fudeu
ainda não ainda não

Tem chance. Assiste a um filme - Que filme? - Titanic! (risadas). Ora, é romanticamente rídiculo, trágico, mas chorei que nem um bebê foi um marco histórico.

O navio afundou, Jack morreu.
A velhinha do Titanic só teve um anel para contar uma história, depois
morreu de ser tão velha e rica.

Vou ouvir Clair de Lune, a música me acalma tanto, vou pensar em lugares bonitos,
cantarolar, sonhar e fantasiar-me de azul.

Quero pipocas! Não se esqueça da manteiga, vou tirar o meu dia assistindo ao meu filme:
sonho meu sonho meu só
eu

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano novo e tempo velho

Parece que quando a gente se torna um pouco velho mais essas datas comemorativas: natal e ano novo, perdem seus sentidos. A inocência de acreditar em um papai noel ou em esperar ansiosamente pelos presentes dos amigos secretos, resume-se a perceber pequenas pitadas de mesquinhez, de angústia e gastos com dinheiro.

Não esqueço da Tia J., mais velha, sentada com um vestido azul prateado, que só é vestido e preparado nessas épocas, e um novo penteado para tornar-se mais bela e especial nesse novo ano que vai entrar como um ponto de partida para um recomeço. Um processo de esquecimento da história que ela viveu até agora, com o seu marido que sofre com alcoolismo e seus filhos que insistem crescer depressa sem ela sequer ter a oportunidade de pentear o cabelo do menino de lado ou fazer uma trança para combinar com o vestidinho rosa da sua menina. Tia J. suspira silenciosamente sua angústia e toma um champanhe sorrindo com tal graça de jilô mal feito, ela chega, então, a dolorosa sensação que perseguia com bastante frequência ano passado: todo dia é dia para envelhecer.

Olho, com delicioso, cuidado e vejo frutas que são devoradas por quase todos convidados, mas comidas e carnes tão bem cozinhadas pelos anfitriões que mal são vistas por eles e visitantes. Eu também passo pelo banquete e finjo não notar a presença de tantos alimentos, sorrio, tomo mais um refrigerante e roubo da mesa algumas uvas. Ao lado, um casal namorando despreocupadamente e esperando a hora de explodir os fogos, os beijos e a meia-noite, sinto um pouco de mal estar, confesso que é uma pintada de inveja.

Aproxima-se o Tio W. que me faz as mesmas perguntas de sempre: como andas os estudos? como andas os namoros? como andas seus pais? (pergunta dita com bastante discrição, já que nele existe uma terceira intenção que é saber do relacionamento, já maltratado, dos meus pais. Ele é o tio que torce pela separação dos dois, tenho impressão de que ele paquera minha mãe) Como andas seu irmão? Corto-o elegantemente e me dirijo a um dos meus primos que há muito tempo não converso. Mas a discussão também é infrutífera, pois o papo não sai dos conselhos moralistas que se fazem a caçula da família; escuto-lhe mesmo assim, permitindo que ele me ensine algo.

A meia-noite chega veloz, nada faz mais sentido. Costumo chorar sempre nesses momentos, quando percebo não somente a minha mediocridade, mas também a alheia! Sorrio angustiada. Com lágrimas alegres nos olhos, eu corro em direção ao quintal. Faço um leve balanço com a rede, me sinto bem, esse é o único momento que posso chorar por envelhecer cada dia mais e ficar sozinha com as minhas retrospectivas do ano.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Anotações no caderno das nove

Ultimamente. Ando caminhando bastante, ouvi uma música que relembrou os meus velhos tempos. Não. De súbito. Vi uma laranja amarela, será que estamos nos tempos das laranjas?; a terra queima os pés, sonhos com frutas. Ouvi "comes love", - oh my god! - meu inglês é péssimo. Se eu falasse um bom inglês me dedicaria as músicas da Lady Day.

what am I doing? Nada. Nothing. I think just the love is a strawberry fruit. Acho que não falei nada com nada, nem sei se escrevi algo lógico com esse inglês absurdo. Prometo aprender a pensar em inglês. Promessa para o próximo ano!