Querido amigo,
ontem eu fiz vinte anos, você já envelheceu, provavelmente conhece mais da vida do que eu. Sinto muitas saudades e muita vontade de conhecer coisas novas, eu estou com um delicioso medo e uma profunda vontade de continuar errando. Viver é um perigo, todo dia é dia de morrer um pouquinho.
Você que me viu aprender a andar, acha que vou mudar? Vou virar mulher? Vou virar humana? O que eu faço pra continuar assim no caminho certo? Às vezes, me pego pensando que o melhor caminho são os desvios de muitas estradas e que a vida não chega a destinos intactos e perfeitos como os livros. Não tenho mais o mesmo pique que antes para os estudos, estou um tanto sei lá, meio emburrada e quão encabulada de tantas teorias inúteis. A vida é cheia de inutilidade, né...
Eu arranjei namorados, deixei namorados, transei com alguns caras e conheci alguns arrependimentos, mas não acho que fiquei mais adulta por causa disso. Olho-me no espelho e sinto ainda uma tal menina increscente. Vou morrer jovem inevitavelmente e meiga e bela. Você que é jovem a mais de vinte anos como é a vida depois? A gente sempe acaba com essa pergunta, tanto pras coisas banais, quanto pras coisas profundas. E depois?
E o amor? E o ódio? E os homens? Meu amigo, eu acho que eu nunca vou entender nada mesmo. Sou uma idiota por causa disso, né... Uma tonta que perde o tempo com desesperos improdutivos. Não sei se o mundo vai mudar (talvez sim, hoje as mulheres falam coisas que não falavam antes). Eu vou assistir o mundo amadurecendo? Será que você, meu amigo, vai ainda ser padrinho dos meus filhos? Será que eu terei filhos? Aí... Que assustador! Ainda desejo viver tantas bobagens desconhecidas, será que você conhece metade do que eu conheci até agora? Se você me contasse pelo menos metade da sua vida talvez me responderia as minhas perguntas e as coisas ficariam mais simples do que estão parecendo. Eu me sinto tão criança, acho que sou menina com seios e sangue todo mês (provavelmente é isso que eu sou).
Meu amigo, eu vou ficar bêbada, vou tomar bebidas que nem conheço o nome e fumar alguns maços de malboro pra ver se assim as coisas resolvem-se por si mesmas. Se tivesse aqui você falaria pra mim que a vida não se resolve com desesperos e embriagando-se, mas provavelmente não me impediria de errar. Você não me entendia, eu também não te conhecia, éramos jovens demais, não conhecíamos os segredos das nossas personalidades e pra onde elas poderiam descaminhar. Mas ainda vai chegar um dia - assim eu espero - que vamos rir desses desesperos e contar pros nossos outros amigos jovens sobre as vicissitudes descomplexas e esquisitas que a vida nos coloca. Vamos levando!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Janis e divagações à toa
"... é preciso ter muita sabedoria para saber reconhecer os encontros que a vida te dá, mas mais do que sabedoria é preciso ter uma certa loucura e ousadia para se entregar a um encontro que a vida te deu..."
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Conversa entre duas moças
- eu vejo uma menina que está tentando se descobrir, você vai achar o seu caminho. Acalma a sua inquietude!
- se eu acalmar ela é provável que eu deixa de me expressar poeticamente? Amiga, eu quero trepar com alguém que me olha nos olhos, eu quero sorrir com alguém que chora quando perceber pequenas demonstrações de carinho e alegria, eu quero alguém que me liga em pleno domingo de manhã não pra ver se a minha casa está livre pra namoricar, mas pra falar besteira, escutar sobre música ou coisas idiotas masculinas. Meninos não gostam das mulheres inquietas ou será que o mundo ficou tão de cabeça pra baixo que as pessoas deixaram de gostar dos papos onde as palavras são mais do que expressões verbais do nada?
- menina, você tá tentando...
- eu sou jovem hoje, bonita, com seios firmes, boca límpida e rosto inocente. Amanhã serei uma velha, estou tentando o quê? Você sabe o que você tenta?
- não sei
- eu também não... Acho que viver é um absurdo! Será que um dia um homem ao invés de me mostrar como gozar com minha xotinha vai me dá orgasmos na alma? Será que não nasci andrógina, nasci apenas mulher? Nasci pra ficar sozinha com minha encantadora subjetividade e um olhar tão penetrante que atravessa qualquer libido dos carentes e canalhas – alguns minutos de silêncio, ela bebe outro copo e responde para ela mesma – nasci com a maldição dos escritores malditos, a solidão dos instáveis e a alma dos inquietos! Nenhum homem será capaz de me aguentar, sou por demais uma chata! Me resta os poemas e livros e música e teatro, me resta apenas o que consola até Deus, a própria criação.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
carta ao amigo
Meu amigo,
ajude-me a curar de minhas angústias. Sou uma pessimista com grandes notas de rodapé que sinalizam pequenas melhoras do país cujo é minha pátria materna. Estou cansada, um tanto à flor da pele, estou com saudades das nossas besteiras de manhã e ficar cantando sertanejos para descansar a mente dos intelectualismos de segunda mão.
dê-me respostas objetivas sobre o futuro, sobre a morte e o amor. Conte-me se eu estou no caminho certo, uma pequena indicação de que o caminho meu é meio certo ou meio errado. Estou cansada de tantas dicotomias, um pouco saturada de lutas que se conseguem minúsculas conquistas, corre-se cem quilômetros para conseguir efetivamente um centímetro de realização material.
Meu amigo, você ainda escuta blues, ainda ama o seu homem, ainda gosta de poesias marginais? Eu não sei mais quem eu sou, não sei mais quais serão as minhas vontades daqui dois minutos. Não leio mais, não como mais (não porque eu me apaixonei; mas porque é demais meu amigo! É demais!), estou muito magra, não consigo dormir. As minhas vadiagens consomem demais os meus dias e as mãos masculinas encostam-me com carinhos não apaixonados, é só sacangem, é só putaria.
Essa angústia é incurável? Se eu trabalhar melhora? Se eu ganhar dinheiro acalma? Se eu tiver filhos diminui? Se eu casar não vou me sentir mais sozinha? Tantas perguntas, meu amigo, por que você não me responde somente uma? A vida é estranha, não tem professores que indicam notas altas ou baixas para saber se está indo bem ou mal. Meu amigo, como eu estou com saudades de você! Vamos sair um dia desses para reclamar da vida, para cantar aquela música e relembrar quem nós éramos um pouquinho, vamos falar de amores consumidos, tomar um guaraná, uma vodca ou coca-cola, vamos falar de rock n' roll ou de bossa nova, vamos papear em pleno domingo e esquecer que somos civilizados. Meu amigo, que saudade! Que saudade que tenho de você...
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