domingo, 11 de setembro de 2011

Pensamentos


Se eu corro
O quarto explode
O caos consome
Meu furor

Voa o pensamento
Arrepios de momento
Sonhos de madrugada
Água ardente
Quente

Meu pijama
Minha cara de demente
Não engana ninguém
O evidente:
Ando pensando muito em você
Ultimamente

A invenção da musa

órfã de mãe
órfã de gatas
órfã de amigas
órfã de cadelas
eu tive que resignar-me
a mim e inventar uma
nova musa

Uma musa que colhe
dos belos musos
palavras e beijos
profundos

profanos segredos
e imundos
descobrimentos
desse corpo 

sábado, 10 de setembro de 2011

Bossa Nova e Rock n’ roll: Observações sobre evoluções desprecisas de uma história

 ao meu amigo Monteiro que me ensinou
algo de rock 
algo de futebol 
um pouco de lamentação 
algo de alma

Nada é tão precioso a ponto de ser eterno. As boas músicas efemerizam a nossa realidade e eternizam as nossas memórias; quando menina ouvia Toquinho, Elis e Vinicius mais do que bebia água. Aprendi a tocar violão, porque gostava de blues e imitar os acordes difíceis da bossa nova. Ouvia rock, mas não me cabia qual era o motivo, a chama subversiva não me contagiava. (Desde cedo, eu saquei que artista não tem que agradar, os melhores iam em direção contrária do sentido imposto por algum patriarca).
Mas houve uma mudança tão profunda em mim, conheci um moço gordo de olhos azuis e melancólicos, um vagabundo, um indivíduo típico de histórias norte-americanas, que bebe mais conhaque do que água. Ele ouve emaranhados de Engenheiros do Hawai como se as canções fossem dele, contagiou-me com uma certa efusão de tristeza que já tinha me esquecido, transformando os meus ideais em litros de cenas alegremente depressivas, todos os gritos reprimidos foram soltos na pinga e no rock.
- bruninha, o rock salvou minha alma, mas estragou o meu corpo! – e com uma risada rouca reiterava – e o que cê acha do bota fogo?
Por trás de tantos risos, a fumaça esvaziava um olhar doce, evidenciando um caminho tão longo que lhe dava licença de utilizar tantas palavras dionisíacas. Não era um amigo que se cria um vínculo eterno, logo desvincularia por completo. Seria rapidamente órfã dele assim como fui com a Amanda, a Tais e a Clarice. No final, teria que saltar os muros impostos com minhas próprias pernas e acobertada com seu rock n’ roll, o sangue contínuo de suas palavras.
- eu era tão bossa nova que tinha me esquecido do rock, - confessava ao meu amigo
- eu tenho uma teoria da bossa nova, às vezes é bom ficar no violão e no banquinho, mas depois eu volto pro rock and roll pra botar os pés no chão –  tragando inexpressivo outro cigarro malboro.
Acho que durante muito tempo, perdi-me em mim. Influenciada demais por minha bela subjetividade, muito mulherzinha, viciada demais com tantos intelectualismos, sem gritos, sem inquietudes pra fora, sem sexo, sem porres, estava demais sóbria. Com tanto equilíbrio, tinha me esquecido das minhas metamorfoses, precisava inventar o amor, precisava inventar um drama. O mundo estava inexplicável de novo, os sentimentos voltavam com rangidos finos de guitarra, a rebeldia contagiava-me, agora podia assumir um pouco de poesia. O rock tinha me salvado! Me colocou de novo no chão tão bossa nova, uma alma contaminada por muito intelectualismo.
- bruninha, eu não quero que te falar o que eu sei, não quero que você se torne eu, porque eu vou embora, então não sou seu exemplo. Sou um herói errado, nem tenho o corpo de dezoito mais, sou gordo e perto da morte.

sobre ideias

Esses dias eu tive uma ideia enquanto estava no ônibus azul, lutando contra a morte e contra o tempo, aproveitando os meus minutos de juventude fortalecida, esperando mais outra profecia irrealizada do fim do mundo, revendo outra frustação de perceber a história passar por nossos olhos, tomando coragem pras dramas inevitáveis, sonhando sonhos que não são meus, vadiando sem dinheiro e emprego, tive a ideia. Mas ela desapareceu como os meninos.

A juventude falida

Numa certa tarde eu desapareci
me desprendi
de tudo que era eu
roubando seus
Virgílios e existências
pra me auto-afirmar
como artista

não devolvi A Divina Comédia
em pleno dia de sol
meu ponto de vista
era uma chama morta de ideologia

Amigas,
já não somos a geração coca-cola
fugimos da escola com a lembrança de jornais
e cotidianos banais
nesse secúlo vinte e um
sou mais uma que espera
junto com a minha geração falida
o mundo acabar

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Confissões

Eu na realidade não sei que dia é hoje. Acordei muito rock and roll, dormi meio bossa nova
essa tarde vou de bamba, no miudinho procurar meu nego
toda sacanagem é melhor que blues

eu minto demais. Até pra mim...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bobagens

Quais são as coisas bonitas da vida? Aquela música que é interpretada pela Marisa Monte (não me recordo o título) que enumera uma série de doces: chocolate, brigadeiro e etc, tudo que há de proibido e gostoso no mundo. Eu vou lá.

A vontade que eu tenho de abraçar o mundo com duas mãos. A fome criativa.
O medo o empecilho
o jogo


PERIGO! Errou, perdi, fudeu
ainda não ainda não

Tem chance. Assiste a um filme - Que filme? - Titanic! (risadas). Ora, é romanticamente rídiculo, trágico, mas chorei que nem um bebê foi um marco histórico.

O navio afundou, Jack morreu.
A velhinha do Titanic só teve um anel para contar uma história, depois
morreu de ser tão velha e rica.

Vou ouvir Clair de Lune, a música me acalma tanto, vou pensar em lugares bonitos,
cantarolar, sonhar e fantasiar-me de azul.

Quero pipocas! Não se esqueça da manteiga, vou tirar o meu dia assistindo ao meu filme:
sonho meu sonho meu só
eu